São Lucas o Médico de Homens e Almas

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“A vida pertence a Deus, pois a atividade da mente é vida e Ele é essa atividade. A pura auto-atividade da razão é a mais abençoada e eterna vida de Deus. Dizemos que Deus vive, eterno e perfeito, e que a vida contínua e eterna é de Deus, pois Deus é a vida eterna.” Aristóteles

Dentre todos os que são parte da história da Medicina – xamãs, feiticeiros, sacerdotes, médicos – o evangelista Lucas, médico grego e cidadão romano, que descreveu com doçura e amor a vida de Jesus de Nazaré na Terra, seguindo os seus passos pouco tempo após seu Calvário, ao mesmo tempo acrescentou um piedoso capítulo à história da Medicina.

Lucas impregnou a Medicina de amor, de compaixão, solidariedade e até de cumplicidade, pois aliou aos conhecimentos adquiridos na escola de Medicina e aos ensinamentos de Keptah, médico e humanista egípcio, a crença de que o preparo espiritual dos enfermos e o carinho dos médicos são de grande valia no êxito do tratamento instituído. Lucas procurava estimular a confiança no médico e a fé do paciente como fatores fundamentais para a obtenção de bons resultados.

Em suas meditações, Lucas considerava que o poder dos deuses influenciava a cura, uma vez que a mente do enfermo possui uma energia capaz de aliviar ou vencer muitos de seus males, quando devidamente conduzida. Muitas das curas atribuídas a Lucas, além da eficácia dos tratamentos com ervas e outros remédios naturais, têm sido consideradas milagrosas, como ele próprio relata: “quantas vezes, pedindo o auxílio de Deus, não obtive a cessação de severos sofrimentos, ao colocar a mão sobre a cabeça do paciente, para que a corrente da força mental pudesse passar do meu querer, para os seus centros vitais, quando bem preparados para a receptividade desejada! Que os médicos do futuro também se utilizem desses meios para aliviar os seus clientes!”

E explicando as curas que descreveu no Terceiro Evangelho e no Atos dos Apóstolos, Lucas enaltecia o poder do Espírito Santo, suficiente por si só, de produzi-los, uma vez que muitos homens teriam a faculdade de transmitir fluidos superiores, por delegação de Deus, produzindo curas notáveis, como as que o próprio Lucas conseguia. E indagava: “por que os médicos não se aperfeiçoam em ministrá-las, deixando de utilizar seus remédios e alquimias, ou recorrendo a esses tratamentos apenas como último recurso?”

Há um sem número de histórias, lendas, comemorações e invocações em torno do médico e pintor São Lucas, e uma dessas orações pede ao santo, tratamento para o espírito mais do que para o corpo: “Deus Todo Poderoso, que chamaste Lucas, o médico, cuja glorificação está no Evangelho, para ser um evangelista e médico da alma, seja do Teu agrado que, através dos remédios salutares da doutrina que ele divulgou, todos os males de nossa alma fiquem curados; pelos méritos de Teu filho Jesus Cristo nosso Senhor. Amém”.

A escolha de São Lucas como patrono dos médicos nos países que professam o cristianismo é bem antiga. Eurico Branco Ribeiro, professor de cirurgia e fundador do Sanatório S. Lucas, em São Paulo, em sua obra, intitulada “Médico, pintor e santo”, refere que, já em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem a São Lucas, proclamado patrono do “Colégio dos filósofos e dos médicos”. No Brasil acha-se definitivamente consagrado o dia 18 de outubro como “dia dos médicos”.

Fonte: História da Medicina – CREMESP

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