O Segredo da Juventude

Autor: Irmão X (Humberto de Campos) na psicografia de Chico Xavier

 Formoso Anjo da Justiça, na Balança do Tempo, recebia pequena multidão de Espíritos recém-desencarnados na Terra. Eram todos eles pessoas maduras, em torno das quais o Ministro da Lei deveria emitir um juízo rápido, como introdução a mais ampla análise, assim como um magistrado terreno que, na fase inicial de um processo, pode formular um despacho saneador.roteiro-e-a-vida-continua-divulgacao4

 Velhos gotosos e dementados, abatidos e caquéticos, demonstrando evidentes sinais de angústia, congregavam-se ali, guardando os característicos das enfermidades que lhes haviam marcado o corpo. Muitos choravam à feição de crianças medrosas, outros comprimiam o coração com a destra enrijecida, ao passo que outros muitos se erguiam com imensa dificuldade, arrastando-se, trêmulos… As sensações da carne ferreteavam-lhes o íntimo, detendo-lhes o ser nas amargas recordações que traziam do mundo. (mais…)

OS MAIORES INIMIGOS

Do livro Lua Acima – de Chico Xavier e Humberto de Campos, cap.31.

Certa feita, Simão Pedro perguntou a Jesus:

- Senhor, como saberei onde vivem nossos maiores inimigos? Quero combatê-los, a fim de trabalhar com eficiência pelo Reino de Deus.

Iam os dois de caminho entre Cafarnaum e Magdala, ao sol rutilante de perfumada manhã.PEDRO-Y-JESUS-372x280

O Mestre ouviu e mergulhou-se em longa meditação.

Insistindo, porém, o discípulo, Jesus respondeu benevolamente:

- A experiência tudo revela no momento preciso.

- Oh! – exclamou Simão, impaciente – a experiência demora muitíssimo.

O Amigo Divino esclareceu, imperturbável: (mais…)

LIÇÕES DE CHICO XAVIER

“Passei fome, passei frio… Em Pedro Leopoldo sempre fez muito frio, ventava muito… A nossa casa não era forrada…, às vezes, a gente não tinha o que comer, era somente uma panela no fogão. Mas ninguém em casa morreu por causa das privações que passávamos. A gente comia só arroz e chuchu. De vez em quando uma mandioca ou ovo, carne era muito difícil… Caso tivéssemos tido muita comida em casa, eu iria me empanturrar, pois sempre gostei de comer. (mais…)

A Paisagem Poética de Parnaso de Além Túmulo

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Há exatos 77 anos surgiu no meio literário brasileiro um dos mais polêmicos livros já publicados. Tratava-se de uma antologia poética que reunia grandes nomes da poesia portuguesa. O nome da obra era “Parnaso de Além Túmulo”, um livro espírita cuja autoria era atribuída a poetas já desencarnados, mas, efetivamente, constituía-se na primeira obra psicografada pelo então jovem médium Francisco Cândido Xavier.

A primeira edição de 1932 trazia sessenta poemas, assinados por nove poetas brasileiros, quatro portugueses e um anônimo. A partir da segunda edição, publicada em 1935, foram sendo gradualmente incorporados novos poemas à obra até à 6ª edição, publicada em 1955 quando se fixou a quantidade de poemas em duzentos e cinquenta e nove, atribuídos a cinquenta e seis autores luso-brasileiros, entre renomados e anônimos.

Essa obra é motivo de polêmica até hoje porque se trata de uma prova material da reencarnação dos espíritos e da comunicação entre vivos e mortos; já no plano da teoria da literatura causa dificuldade na definição de criação e autoria; e no plano da inteligência linguística causa espanto quanto ao domínio dos diversos estilos na criação literária. É importante lembrar que Chico Xavier só estudou até a quarta-série do ensino fundamental e na época do lançamento do livro, trabalhava das 7h ás 20h como caixeiro de um armazem em Uberaba.

Outro fato que grita aos olhos é que a referida publicação reúne 56 autores de diversas escolas literárias. Entre os autores se incluem: os simbolistas Cruz (1861–1898) e Alphonsus de Guimaraens (1870–1921), o simbolista/parnasiano de Augusto dos Anjos (1884–1914); poetas romanticos como Casimiro de Abreu (1839–1860) e; o estilo satírico de Artur de Azevedo (1855–1908); o parnasianismo de Olavo Bilac(1865–1918); o realismo de Júlio Dinis(1839–1871); entre outros.

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O escritor Humberto de Campos escreveu para o Jornal Diário Carioca: “Eu faltaria, entretanto, ao dever que me é imposto pela consciência, se não confessasse que, fazendo versos pelas penas do Sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta. Os temas abordados são os que os preocuparam em vida. O gosto é o mesmo e o verso obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical. Frouxo e ingênuo em Casimiro, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro, fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos. (Humberto de Campos se referiu a primeira edição de “Parnaso de Além-Túmulo”, é a partir da segunda edição que há um texto atribuído a ele “em espírito”). O escritor Monteiro Lobato disse: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, então ele merece ocupar quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”

Por outro lado Agripino Grieco objeta escrevendo para o Diário da Noite: “Os livros póstumos, ou pretensamente póstumos, nada acrescentam à glória de Humberto de Campos, sendo mesmo bastante inferiores aos escritos em vida. Interessante: de todos os livros que conheço como sendo psicografados, escritos por intermédio de um médium, nenhum se equipara aos produzidos pelo escritor em vida.” Leo Gilson Ribeiro para a revista Realidade: “Uma coisa é clara: quando o ‘espírito’ sobe, sua qualidade desce. É inconcebível que grandes criadores de nossa língua, depois da morte fiquem por aí gargarejando o tatibitate espírita”.

Segundo o próprio Chico Xavier na breve introdução publicada na edição de 1931, ele afirma: “Jamais tive autores prediletos; aprazem-me todas as leituras e mesmo nunca pude estudar estilos dos outros, por diferençar muito pouco essas questões. Também o meio em que tenho vivido foi sempre árido, para mim, neste ponto. Os meus familiares não estimulavam, como verdadeiramente não podem, os meus desejos de estudar, sempre a braços, como eu, com uma vida de múltiplos trabalhos e obrigações e nunca se me ofereceu ocasião de conviver com os intelectuais da minha terra. O meu ambiente, pois, foi sempre alheio à literatura; ambiente de pobreza, de desconforto, de penosos deveres, sobrecarregado de trabalhos para angariar o pão cotidiano, onde se não pode pensar em letras.”

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Seja como for, o verdadeiro valor do livro “Parnaso de Além Túmulo” não paira somente na qualidade linguística ou na quantidade de escolas literárias que passeiam nas 700 páginas do livro. Sobretudo, reside nas paisagens poéticas cantada nos versos, nas prosas e nas rimas dos poetas que nos trazem notícias da vida depois da vida.

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O Maior Brasileiro da História

Se Chico Xavier ainda estivesse encarnado, ele completaria no próximo dia 2 de abril a idade terrena de 103 anos. Por isso, faremos nossa justa homenagem a esse homem que inspirou milhões de brasileiros a olhar para a vida com fé, esperança e amor.

Numa época em que o Brasil está carente de exemplos de dignidade, honradez e amor ao próximo, devemos evocar em nossa memória a figura e a conduta de Francisco Cândido Xavier, um homem simples, feito a maioria dos brasileiros honestos, que nasceu em berço pobre, trilhou o caminho dos humildes e de forma modesta soube partilhar com imensa generosidade e sabedoria os ensinamentos que adquiriu no mundo espiritual.
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O nosso Chico Xavier nasceu na cidade mineira de Pedro Leopoldo em 2 de abril de 1910, e desde os quatro anos de idade já manifestava sinais de excepcional mediunidade.

Ainda criança provou das agruras da vida tornando-se órfão aos cinco anos com o desencarne de sua querida mãe, Maria João de Deus. E por contingência da penúria financeira em que se encontrava a sua família, se viu obrigado a morar na casa de sua madrinha, mulher severa e ignorante que lhe impunha rígidos castigos físicos e morais.

Mesmo assim, a personalidade de Chico Xavier apresentava um caráter inquebrantável – herança de outras vidas – incapaz de qualquer maldade ou de desobediência. E foi nessa época difícil que o menino Chico, sentindo a falta do amparo materno, conversava com o espírito de sua mãe: – “Mamãe, foi Jesus que mandou a senhora nos buscar? Ela sorriu e respondeu: – Foi sim, mas Jesus deseja que vocês, os meus filhos espalhados, ainda fiquem me esperando… Aceitei o que ela dizia, embora chorasse, porque a referência a Jesus me tranquilizava. (…)

Aos 17 anos de idade, ainda em sua cidade natal, Francisco Cândido Xavier assume publicamente a sua missão mediúnica no dia 8 de julho de 1927, psicografando as primeiras dezessete folhas de papel, tratando sobre os deveres do espírita-cristão.

Segundo depoimento do próprio Chico Xavier: (…) – “Era uma noite quase gelada e os companheiros que se acomodavam junto à mesa me seguiram os movimentos do braço, curiosos e comovidos. A sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora de meu próprio corpo físico, embora junto dele. No entanto, ao passo que o mensageiro escrevia as dezessete páginas que nos dedicou, minha visão habitual experimentou significativa alteração. As paredes que nos limitavam o espaço desapareceram. O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite. Entretanto, relanceando o olhar no ambiente, notei que toda uma assembleia de entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade, em cuja expressão adivinhava, por telepatia espontânea, que me encorajavam em silêncio para o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me para que nada receasse quanto ao caminho a percorrer.”

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Outro fato que marcou profundamente a trajetória do médium foi o seu encontro com o espírito de Emmanuel, seu mentor e companheiro que teve uma de suas encarnações terrenas na personalidade de um Senador Romano, contemporâneo de Jesus de Nazaré. Emmanuel deu-lhe orientações básicas para o trabalho que deveria desempenhar. Eis a primeira:
Emmanuel – Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus?
Chico – Sim, se os bons espíritos não me abandonarem… (Respondeu o médium).
Emmanuel – Não será você desamparado, mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.
Chico – E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso?
Emmanuel – Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço… (Antes que o protetor se calasse o rapaz perguntou):
Chico: – Qual é o primeiro?
Emmanuel (A resposta veio firme): – Disciplina.
Chico – E o segundo?
Emmanuel – Disciplina.
Chico – E o terceiro?
Emmanuel – Disciplina.

Em outra importante orientação recebida foi assim relembrada por Chico: – “Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.”

Mesmo recebendo os mais variados donativos de pessoas beneficiadas por seus préstimos espirituais, incluídos entre esses bens materiais: Canetas, carros e fazendas; Chico fazia uso da caridade repartindo todos esses donativos entre os desvalidos, através de instituições beneficentes, sendo que, sustentava-se, exclusivamente, com seu modesto salário de datilógrafo no Ministério da Agricultura. Dos seus 450 livros psicografados que venderam mais 45 milhões de cópias, Chico registrou em cartório a doação de todos os direitos autorais a que teria direito em favor de instituições beneficentes espíritas, demonstrando, assim, exemplo de abnegação, cidadania e amor ao próximo.
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Tanto as obras literárias como a pessoa emblemática de Chico Xavier inspiraram peças teatrais, filmes, novelas, canções e livros traduzidos para o esperanto, o francês, o inglês, o espanhol, o japonês, o tcheco e o polonês, entre outros. A começar pela sua primeira obra publicada em 1932, intitulada “Parnaso de Além-Túmulo”, até o último filme lançado no Brasil com o nome de “As Mães de Chico Xavier”, observa-se uma profunda influência desse médium sobre as artes brasileiras. Um exemplo pitoresco encontramos nos anos 70, quando o cantor Roberto Carlos revela no Programa “Flávio Cavalcanti”, a influência das obras do Chico nas letras das músicas de sua autoria.

Entre os inúmeros reconhecimentos prestados pela sociedade brasileira ao cidadão Francisco Cândido Xavier, destacam-se: Chico Xavier é o brasileiro que mais recebeu títulos de cidadão honorário na história; Em 1981 foi indicado ao prêmio Nobel da Paz; Em 2000 Chico foi eleito o “Mineiro do século XX”; Já em 2006, a Revista Época realizou uma pesquisa junto aos seus leitores a fim de saber quem era O MAIOR BRASILEIRO DA HISTÓRIA. De acordo com o resultado publicado pela Revista na edição de 09 de setembro de 2006, a enquete foi subdividida em duas: “A primeira pesquisa foi feita entre intelectuais, escolhidos pela revista, e a segunda dentre os leitores, que votaram pela internet. O júri da revista elegeu Ruy Barbosa; Todavia, a pesquisa feita junto aos leitores, elegeu Francisco Cândido Xavier”, que não se considerou dotado de tamanha importância. E em outubro de 2012, aconteceu uma enquete semelhante no programa O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, transmitido pelo SBT, Chico foi eleito, mais uma vez, por voto popular, como “O MAIOR BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS”.
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Mas, afinal, caro leitor, quem é o maior brasileiro da história? É um político? É um desportista? Ou é um escritor? Tenho certeza que para o nosso médium que fez de sua vida uma fonte de bênçãos, o maior brasileiro da história foi e sempre será o “próximo”, aquele cidadão comum que representa todos os Josés e todas as Marias a quem ele endereçou os seus ensinamentos.

Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.” (Chico Xavier)

“Até hoje chegam cartas a Uberaba, Minas Gerais, endereçadas a Chico Xavier. Vêm pelo correio ou são jogadas por cima do muro do centro em que ele trabalhava. Parece que seus autores não se lembram de que Chico não está lá – morreu há 8 anos. Quer dizer, o homem morreu. O mito não”. (Revista Super Interessante – Abril de 2010)

Grupo de Estudo e Pesquisa da Ordem Fraternidade Luz e Fé – FLF (abril – 2013)
Fontes:

http://www.febnet.org.br/

http://www.geem.org.br/173_02.asp

http://bussolaliteraria.blogspot.com.br

http://super.abril.com.br/religiao/investigacao-chico-xavier-561667.shtml