O Primeiro Centro Espírita do Brasil e o seu Criador Telles de Menezes

artigo09_07_1

Após 8 anos do lançamento do Livro dos Espíritos, em 17 de setembro de 1865, foi fundado em Salvador o Grupo Familiar de Espiritismo por Luiz Olympio Telles de Menezes – primeiro Centro Espírita do Brasil. Além da disseminação dos ensinamentos espíritas, o Grupo também dedicava-se à caridade, ajudando os mais necessitados.

É interessante destacar que durante o primeiro dia de abertura do Centro, durante uma sessão mediúnica, o Grupo recebeu a primeira mensagem dos espíritos através de uma mensagem psicografada, cuja mensagem fora assinada pelo espírito chamado de Anjo Brasil.

Assim que soube da existência do Centro Espírita a Igreja Católica atacou imediatamente. O Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, Dom Manoel Joaquim da Silveira apresentou o Espiritismo para a sociedade como sendo um atentando formal contra a verdade Católica e que a doutrina, por contrariar a religião do Estado, era também contra o Estado.

Luiz Olympio, em defesa da Doutrina, imediatamente escreveu uma carta aberta afirmando que “O Espiritismo tem de passar por provas rudes e nelas Deus reconhecerá sua coragem, sua firmeza e sua perseverança. Os que se ausentam por um simples temor ou por uma decepção, assemelham-se a soldados que somente são corajosos em tempos de paz, mas que, ao primeiro tiro, abandonam as armas”.

Cabe aqui um relato maior sobre Luiz Olympio Telles de Menezes, pois, além de ter fundado o primeiro Centro Espírita do Brasil, foi ele também o responsável pelo primeiro veículo informativo da Doutrina Espírita: o jornal “O Echo D´Alêm-Tumulo”. O jornal teve a sua primeira publicação em julho de 1869 e, em novembro do mesmo ano, foi traduzido e publicado na Revista Espírita (criada por Alan Kardec).

artigo09_07_2

A matéria destinada ao jornal brasileiro é introduzida pelo seguinte trecho:

“O Eco de Além-Túmulo aparece seis vezes por ano, em cadernos de 56 páginas in-4o, sob a direção do Sr. Luiz Olympio Telles de Menezes, ao qual nos apressamos imediatamente a endereçar vivas felicitações, pela iniciativa corajosa de que nos dá prova. Com efeito, é preciso grande coragem de opinião para criar num país refratário como o Brasil um órgão destinado a popularizar os nossos ensinamentos. A clareza e a concisão do estilo, a elevação dos sentimentos ali expressos, são para nós uma garantia do sucesso dessa nova publicação. A introdução e a análise que o Sr. Luiz Olympio faz, do modo pelo qual os Espíritos nos revelaram a sua existência, pareceram-nos bastante satisfatórias. Outras passagens, referindo-se mais especialmente à questão religiosa, dão-nos ocasião para algumas reflexões críticas.”

Luiz Olympio fez de “O Echo D´Além-Túmulo” um instrumento para melhor defender e propagar a Doutrina Espírita, após ser profundamente atacado pela imprensa e Igreja Católica da Bahia. Tal fato pode ser comprovado na passagem apresentada a seguir (extraída da primeira edição de seu jornal):

“A idéia do Espiritismo não foi concebida por ninguém; consequentemente, ninguém é o seu autor. Se os Espíritos não se tivessem manifestado espontaneamente, por certo o Espiritismo não existiria. Portanto, o Espiritismo é uma questão de fato, e não de opinião, não podendo as denegações da incredulidade prevalecerem contra esse fato. A rapidez de sua propagação prova exuberantemente que se trata de uma grande verdade que, necessariamente, há de triunfar de todas as oposições e de todos os sarcasmos humanos; e isso não é difícil de demonstrar, se observarmos que o Espiritismo faz os seus adeptos principalmente na classe esclarecida da sociedade.”

artigo09_08_1

Telles de Menezes também foi um dos defensores da libertação dos escravos. A cada assinatura vendida de “O Echo D’Além-Túmulo”, parte do dinheiro era destinada à compra da libertação de negros e escravos na Bahia. Esta ação muito tem a ver com os ensinamentos de Jesus Cristo, os quais propõem a vivência da fraternidade entre os povos para que todas convivam em harmonia.

Há poucos registros encontrados sobre a vida deste espírito de luz durante a sua vida terrena. Porém, o pouco do que se tem divulgado deixa claro que Luiz Olympio teve muita importância para a disseminação do Espiritismo no Brasil.

Fontes:
http://espiritismoconquista.blogspot.com.br/p/o-primeiro-centro-espirita-do-brasil.html
http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/fundador-do-primeiro-centr-espirita-do-brasil-o-legado-de-luiz-ol
http://www.ceismael.com.br/artigo/origens-do-espiritismo-brasil.htm
http://www.searabendita.org.br/site/detalhe.php?codigo=124
http://livrariaflamarion.com.br/Espiritualismo/Allan%20Kardec/Revista%20Espirita/AK1869.pdf
rodapeFLF

Cosme Mariño – O Kardec Argentino

artigo09_05_1

Ao conhecermos a trajetória de vida de COSME MARIÑO, somos forçados a reconhecer que “a luta contra os preconceitos materialistas e o fanatismo religioso somente pode ser levada a bom término por Espíritos muito superiores à massa humana que habita nosso planeta”.

O missionário que se encarna para defender uma ideia nova contra erros arraigados durante milênios, para forçar a Humanidade a dar um passo a mais no caminho do progresso, não pode ser um espírito comum, porque falharia antes do fim da jornada, espantado pelos ataques de toda classe de adversários que surgem das trevas, furiosos, defendendo suas tradições, que julgam sagradas e seus interesses, que consideram divinos.

Em 27 de setembro comemoramos o aniversário de nascimento, ocorrido no ano de 1847, em Buenos Aires, do ilustre Cosme Mariño, cognominado o “Kardec Argentino” , um reconhecimento da comunidade espírita platina pelo seu trabalho em prol da divulgação da doutrina espírita naquele país e pelo modelo de conduta que encarnou sem descanso em benefício dos necessitados daquele país.

Seus pais foram comerciantes modestos e honrados. Foi educado dentro dos princípios da igreja católica e se sentiu atraído para o sacerdócio, no qual vislumbrou a possibilidade de exercer a sua propensão inata de servidor da Humanidade.

Fez o curso superior de teologia, convencendo- se logo após de que a sua vocação não estava circunscrita aos estreitos dogmas da religião dominante. Abandonou, portanto, a carreira iniciada e ingressou na Faculdade de Direito, tendo em seguida interrompido também esse curso para entrar na carreira jornalística, onde junto com José C. Paz fundou o grande diário portenho: “La Prensa”.

Em 1871, tomou parte ativa na heroica “Comissão Popular”, constituída com o objetivo de combater a epidemia de febre amarela que flagelava os seus concidadãos e embora tivesse sido contaminado pelo mal, conseguiu restabelecer- se, sendo posteriormente condecorado com a Cruz de Ferro e uma medalha de ouro como prêmio aos seus nobres serviços.

Cosme Mariño fundou ainda a Sociedade Protetora de Inválidos, conseguindo, graças à sua incessante atividade, construir o Edifício dos Inválidos. Transferindo sua residência para a cidade de Dolores, na província de Buenos Aires, no ano de 1874 foi designado membro honorário da Comissão de Justiça, membro titular do Conselho Escolar e Presidente da Comissão do Hospital de Dolores.

Nessa cidade teve o apóstolo a oportunidade de assistir a algumas sessões espíritas e, convertendo- se a essa Doutrina, revelou- se um verdadeiro paladino da Terceira Revelação. Em 1879 ingressou nos quadros da “Sociedad Espiritista Constância”, tendo em 1881 tomado parte em sua direção. Em 1882 tornou- se diretor da revista “Constância”, pioneira dos periódicos espíritas na Argentina. Em 1883 foi eleito presidente dessa instituição, desenvolvendo ali vasto programa de atividades.

No desempenho de sua tarefa jornalística viu- se obrigado a sustentar acirradas polêmicas com alguns clérigos que viam no Espiritismo um constante obstáculo à manutenção do domínio da fé cega, e também com alguns cientistas que viam no Espiritismo tão- somente loucura, fraude e sugestão.

A vida desse singular personagem, desencarnado em agosto de 1927, foi toda ela entrecortada de gestos nobres e altruísticos, e não cabe nesta ligeira súmula biográfica enumerar todos os fatos ocorridos em sua existência, contudo, devemos acrescentar que Cosme Mariño foi autor brilhante, tendo escrito vários livros; foi inspirador de várias campanhas, destacando-se uma em favor da aquisição de livros espíritas para serem revendidos a menor custo; outra em favor do reconhecimento da Sociedade “Constância” como personalidade jurídica; e mais as seguintes: formação de uma comissão permanente para auxílios funerários a indigentes, preparação de enfermeiros através de cursos adequados, fundação da Confederação Espiritista Argentina, para cuja concretização colaborou intensamente Antônio Ugarte e outros, organização da Sociedade Protetora da Criança Desvalida; ação em favor da abolição da pena de morte na Argentina, campanha contra os falsos médiuns e exploradores do Espiritismo, e finalmente, em 1925, a inauguração do “Asilo I Centenário”.

A luta do missionário argentino foi prolongada e mais violenta que a de Kardec, que trabalhou pelo Espiritismo durante 14 anos, mas Cosme Mariño teve que lutar meio século para conquistar e consolidar as posições que nos legou. Foi agredido não somente por palavra e por escrito, senão também por arma de fogo: uma fanática religiosa tentou assassiná-lo a tiros; sem embargo, nada o fez desanimar, nada o intimidou, porque foi um grande Missionário consciente do seu poder, certo do valor imenso da ideia que defendia com risco da própria vida. “A superioridade de Cosme Mariño se revelava em toda sua vida e lhe conferia um prestígio social que lhe dava autoridade para predicar essa grande revolução espiritual que é o Espiritismo”.

Fonte: Wikipédia
rodapeFLF